Faz um mês que eu buscava uma noite que resgatasse o espírito skate-rock das festas de outrora. Basement, Kitnet, Bang, Garage. Quantas casas boas existiram na década de 90. O AUTÊNTICO PUNK ROCK ESTAVA EM EBULIÇÃO! Skaters, Punks, Skins e fartas Pin-ups exorcizavam a rotina capitalista ao som de Operation Ivy, Dead Kennedys, Pixies, Ministry e Iggy Pop entre tantos outros monstros sagrados do punk. A noite valia cada centavo suado!
Infelizmente, depois de rodar Lapa, Botafogo e adjacências, entrando em casas que se dizem ‘modernas’, só consegui escutar POP! E o público então? Baby-lesbos, Wannabe Justin Biebers e Rappers by Daslu. Putz, DERROTA!
Depois dessa fracassada jornada, pensei ser um solitário dinossauro que queria voltar a um tempo que não existe mais. “O punk, desta vez, morreu mesmo”, pensei.
Permaneci calmo como uma bomba, até que às 6h da última sexta vejo o título “O PUNK LEVADO A SÉRIO” na última edição impressa da revista PROGRAMA. Seria verdade ou ilusão causada pelo sono? Putz, corri os olhos pela matéria e notei que não só eu, mas uma pá de órfãos de uma noite punk buscavam uma festa onde o colorido dessa nova geração fosse ofuscada pelo preto surrado das jacketas e dos coturnos.
A primeira edição da SANTÂNICA prometia ser a salvação! Cólera tocando Pistols somado ao set list de “Punk 77 e o mais fino underground” deixava meu corpo sedento por um pogo! Sem perder tempo, agitei os contatos e me preparei para uma verdadeira NOITE PUNK! HELL YEAH!!
GOD SAVE THE CÓLERA!
No escopo inicial da festa, rolava um tal “Cólera PROJECT”, no qual a banda tocaria somente os clássicos do Sex Pistols. Fiquei amarradão! Corri para assistir, já que o show começava cedo demais para uma festa punk, mas, mesmo assim perdi algumas músicas. Ok, vamos reclamar menos e pogar mais.
Entro nos acordes de God Save The Queen e noto a platéia parada cantando a música. Estranho. Começa outra e o público nada de agitar… até que o próprio Redson evoca o público a pogar e descobrimos o motivo da pseudo-apatia: O PÚBLICO QUER OUVIR CÓLERA!! F O D A !! Num clássico momento “sessão da tarde”, onde o aprendiz supera o seu mestre, o som do Cólera foi muito mais power do que os clássicos bem tocados do Sex Pistols. VIVA O PUNK NACIONAL!
Palpebrite, Medo, Dia e Noite… já nos primeiros riffs o público parece ter sido possuído pelo espírito de Vicious: Cerveja voa, coturnos se levantam e um clima de diversão como a muito tempo não via toma conta do Rock ‘n Drinks!
Depois do pocket show que se tornou a apresentação do “Cólera Project”, começou a festa propriamente dita. Rolou uma boa seleção de punks, mas ainda ficou devendo. Senti falta de Replicantes, Olho Seco, Political Asylum, enfim, punks mais fora do eixo Ramones-Bad Religion. Mas só em ter ouvido Rancid numa noite carioca, já me torna um frequentador assíduo da SANTÂNICA!
A festa só tem algumas coisinhas a serem acertadas, como parte técnica do som e o horário do show … só uma mudança acredito tem que ser realmente feita: A DATA DA FESTA! Punk no fim do mês tá quebrado!! O salário do proletariado dura só até o dia 15! A festa deveria ser logo no início do mês, quando a galera tem grana, e assim fortalecer os punk-rockers cariocas que buscam uma diversão honesta, como a SANTÂNICA é!
De qualquer forma a iniciativa dos produtores (vlw Gabriel e Eduardo!) e a primeira impressão da festa demonstram que a SANTÂNICA chegou para acabar com o marasmo multicolorido que a TV cisma de nos entubar. Espero encontrar mais Punks, Skins e Skaters como eu na próxima roda! E, de preferência, ao som de Agnostic Front!
VIDA LONGA A SANTÂNICA!
*Artur Kjá é uma mente hardcore e criativa que se manifesta através da arte.
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novembro 4, 2010 às 4:15 pm |
Hey, precisava do e-mail de contato para enviar uma pauta pro seu blog! Abraços
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